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sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Um pouco de drooker,e seu ataque ao campo magnetico










Eu não sei você mais quando observo essas pinturas de Drooker sinto tudo estremecer por dentro.
Como numa definição de aurora:
Cor de aurora, cambiante entre a cor de rosa e a de laranja. A aurora polar apresenta-se sob a forma de um arco luminoso de que saem jatos de luz que ardem no espaço. É devida à luminescência da alta atmosfera sob a influência de partículas eletrificadas oriundas do Sol, cujas trajetórias são desviadas para os pólos pelo campo magnético.

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Alados


Uma lagarta se escora sobre uma folha verdinha
Depois que come todinha, deixa o talo e vai embora
Quando sente que é a hora de fazer meditação
Se vira em adivinhão e dependurada demora
Se transforma e vai embora, encantada e feminina
Borboleta bailarina, ninfa da brisa e da flora

Numa noite escura, criaturinhas que vagam
Luz ascendem, luz apagam, aqui, ali, acolá
Transformando o jatobá numa árvore natalina
Brilhantes de pela fina no pescoço de Iaiá
Riscando pra lá, pra cá, sem som, sem rosto e perfume
Pirilampo vaga-lume, mosca de fogo auá

Balançando em suspensão, de fuzil engatilhado
Vai e vem desconfiado tarimbado em traição
Na ponta do seu ferrão o gume da baioneta
O fogo da malagueta e a quentura de um tição
Mestre cavalo-do-cão, tranca a rua e traiçoeiro
Marimbondo fuzileiro do quartel de papelão

domingo, 23 de janeiro de 2011

É desse lugar que falo (por L. F. Leprevost)

a liberdade afirmando ser um jogo
de xadrez num lugar onde não há lua
quando olhamos pela janela

e eu procurando pretextos tenho muitos rios
em especial um chamado Narciso
tenho praças, e essa Nomeiodonada
e Nuncamais, o lixão que não admite reciclagem
depois que algo é posto fora

tenho Singélida, a cidade onde habitam
os que desprezam quando admiram
e se entregam de olhos fechados, mordendo os lábios
ao mesmo tempo em que se preparam pra dar o bote

é desse lugar que falo sobre um tipo de ódio
que vem engarrafado, antídoto
tomado em doses homeopáticas
no intuito de evitar que a história
seja sempre fraturas expostas

sabe, a passividade embrutece mesmo agora
quando apenas faço meu trabalho e morro de medo de
sem me dar conta, mais uma vez estar participando
de um banquete pra urubus

é que a gente percebe
quando mesmo o amor mais devotado
nos quer jogado no lixo

sábado, 22 de janeiro de 2011

Transmigração - Oliverio Girondo

"Uns gostam de alpinismo. Outros entretem-se com dominó. 
A mim me encanta a transmigração.

Enquanto aqueles que passam a vida pendurados numa corda, ou encaixando peças de dominó, eu passo a vida transmigrando de um corpo a outro, eu não me canso nunca de transmigrar.

Desde o amanhecer, me instalo em algum eucalipto a respirar a brisa da manhã. Durmo uma sesta mineral, dentro da primeira pedra que encontro no meu caminho, e antes de anoitecer já estou pensando a noite e as chaminés com um espírito de gato.

Que delícia a de metamorfosear-se em abelha, a de sorver o pólen das rosas! Que voluptuosidade a de ser terra, a de sentir-se penetrado de tubérculos, de raízes, de uma vida latente que nos fecunda... e nos faz cosquinhas!

Para apreciar o presunto não é indispensável ser porco? Quem não desejaria tranformar-se em cavalo? Poder saborear o gosto dos vales e dar-se conta do que significa "puxar o carro"?...

Possuir uma virgem é muito diferente de experimentar as sensações de uma enquanto a estamos possuindo, e uma coisa é mirar o mar a partir da praia, outra é contemplar-lo com os olhos de um caranguejo.

Por isso a mim me atrai meter-me nas vidas alheias, viver todas as secreções, todas as suas esperanças, seus bons e maus humores. Por isso a mim me atrai ruminar a pampa e o crepúsculo personificado em uma vaca, sentir a gravitação e os ramos com um cerébro de noz ou de castanha, embolar-me em pleno campo, para cantar-lhe com uma voz de sapo as estrelas.

Ah, o encanto de haver sido camelo, cenoura, maçã, e a satisfação de compreender, a fundo, a  preguiça dos remansos... e dos camaleões!...

Pensar que durante toda a sua existência, a maioria dos homens não tem sequer sido mulher!... Como é possível que alguém não se entedie dos seus apetites, de seus espasmos e que não necessitem experimentar, de vez em quando, os das baratas... os das madressilvas?

Embora eu já tenha me posto, várias vezes, um cerebro de um imbecil, jamais compreendi que se possa viver, eternamente com um mesmo esqueleto e um mesmo sexo.

Quando a vida é demasiado humana -  e unicamente humana! - o mecanismo de pensar não resulta em uma enfermidade maior e mais chata que qualquer outra?

Eu, ao menos, tenho a certeza de que não poderia suportá-la sem esta atitude de evasão, que me permite trasladar-me aonde não estou: ser formiga, girafa, pôr um ovo, e o que é mais importante ainda, encontrar-me comigo mesmo no momento em que me havia esquecido, quase completamente, de minha própria existência."

domingo, 16 de janeiro de 2011

Jaroslav Šerých


Jaroslav Šerých (27 de fevereiro 1928) é um pintor, ilustrador, escultor,  mosaicista e printmaker tcheco. Esta é uma das ilustrações para o livro Contes d'Indonesie (1979).